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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Reflexões

A mente humana é um veículo de constante modificação. De memórias impressas e expressas, rápidas, emocionais, impedidas, calculáveis, ociosas.

Compõe um infinito delimitado por mãos, pés, extremidades pequenas diante o todo e tudo que se possa imaginar.

Às vezes, há quem passe a vida inteira inerte, sem agir diante de situações “bestas”.Valores? Para quê? Há?

Medos, anseios, segredos que possam contar a quem? Acreditamos em nós mesmos ou nos outros?

Outros? Quem são os outros? Não conhecemos ou são tantos que conhecemos mas acabam passando despercebidos, mas será que conhecemos mesmo?

Passamos toda uma vida colecionado erros e acertos, vitórias e derrotas. Falamos e colecionamos amigos e inimigos. Brigas confrontais e confrontadas. Exaltações? Princípios primitivos, lutas para manter-se em um mesmo metro quadrado, cúbico, curto, simples.

Labirintos, cruzadas, entrecruzadas, encontros e coisas perdidas: e quando se acha uma saída é o fim, o nada?

Fabiane Abreu

04/10/2007

domingo, 4 de abril de 2010

Novo Ângulo:Ponto de Mutação

Presume-se que, a criação ou surgimento de um indivíduo pensante na sociedade, teve o principal objetivo de modificar o meio existente, aprimorando-o de forma a desenvolvê-lo, criar, buscar, mover e sugerir questionamentos que mudassem o mundo individual e assim o todo coletivo, de modo a ansiosamente crescer como pessoa, e evoluir como um ser político na sociedade.

A película fotográfica Ponto de Mutação, tendo como título original Mindwalk possui uma abordagem incisiva a cerca de assuntos que conturbam a ordem existencial humana, as suas relações interpessoais, e o seu modo de vida com a política, a economia, o desenvolvimento das ciências exatas e humanas. Três personagens merecem destaque na narrativa: Jack, que fora candidato a presidente dos EUA sem êxito, possui uma visão diminuta das relações sociais, observando apenas a sociedade como partes destituídas do todo, e optando pela social-democracia ao propor suas metas agora como candidato ao senado. Seu amigo, o poeta Tom, possui uma visão reacionária e se opões fortemente às opiniões de seu amigo Jack. Em suas passagens no filme, emite opiniões incisivas, e expõe belos poemas, cheios de metáforas que põem em cheque os pensamentos humanos. Ao acaso, surge a cientista Sônia Hoffman, que dá caminho e embasamento histórico científico da narrativa, com opiniões extremamente revolucionárias, e sugere uma perspectiva para o todo social e a mudança de olhares e conceitos da vida cotidiana.

Dito isto, o filme busca delinear sua trajetória debatendo questões conflituosas onde tem por objetivo a descoberta do real sentido de pertencer a uma sociedade, exercer o papel político e o melhor de tudo: conseguir mudar a vida das pessoas ao seu entorno. A política é transcrita como “uma galeria de espelhos para narcisos”, onde as aparências estereotipadas, pré-moldadas e acríticas se fazem presentes. Observa-se uma perspectiva individualista que logo cai por terra no tocante à então proposta apresentada: para descobrir aquela qualidade que está tão em falta no mundo, seria visão? Sim, seria, mais do que isso, a percepção tão ausente no olhar do outro, um ângulo a ser vislumbrado com um olhar coletivo, o todo, o total, e não partes desinteressadas e desinteressantes de ínfimas partes, desconexas do mundo em que se vive. O ser humano não é uma ilha, aliás, ninguém é uma ilha. Estamos frequentemente conectados em uma linha invisível que nos une, um a um, em trocas de matéria e energia.

Voltemos a época de René Descartes, em sua visão do mundo como um relógio, onde, com esse pensamento mecanicista, provocou uma ruptura com os pensamentos teocêntricos advindos da Igreja Católica. Francis Bacon traduz que há de se torturar o planeta para obter os seus segredos. Evoluindo junto com esses filósofos e cientistas, deparamo-nos com Sir. Isaac Newton, com a sua rede de tendências e probabilidades de interação dos seres vivos. E agora? E agora? O que fazer com esta filosofia nos dias atuais?

Crer-se-á que precisamos de uma nova maneira de entender a vida, a dinâmica social. Convivemos com uma superpopulação, o uso de contraceptivos, a desnutrição afinando corpos e almas famintas em busca de nutrir-se de algum alimento. Há um desmatamento crescente, em contrapartida com o crescimento de latifundiários oprimindo a massa trabalhadora, que convive em uma luta sôfrega para continuar sobrevivendo a um capitalismo ferrenho. Uma individualização da medicina na sociedade onde as enfermidades são melhor tratadas e curadas com o serviço particular, com acessibilidade de medicamentos. Uma ambição humana desregrada, onde o sentimento intrínseco do SER desaparece, e o TER, surgem onipresente e onipotente nos seres humanos: estes que lançaram por motivos políticos e conflitos bélicos de guerra, as Bombas Atômicas de Hiroshima e Nagasaki, incinerando pelo próprio conhecimento das partículas subatômicas e o uso de matérias explosivos, matando milhares de pessoas naquela época e hoje, sente-se seus reflexos devido a radiação intensa, provocando câncer aos habitantes daquela região.

Diante das divagações apresentadas, questiona-se o que fazer diante da problemática existente e do real sentido da vida. Os incrédulos, pensam que a vida não tem um sentido próprio, outros falam de uma dita missão divina, porém inquestionavelmente, em nossa trajetória como seres pensantes, somos responsáveis pela nossa escrita das páginas da história, e possuímos com objetivo primordial mudar a nossa forma de ver o mundo, com um total, nos indignarmos sempre, falar até secar o cuspe, andarmos mundo afora, e nunca perdermos o sonho de mudança em uma sociedade dita democrática de direito, justa e igualitária substancialmente, não formalmente em códigos sem vida, onde os verdadeiros seres humanos criam o viver nestas páginas, e aplicam-na de modo a viver melhor socialmente. Pode parecer utópico, mais a utopia existe para nunca deixarmos de nos indignarmos e lutarmos até quando tivermos vida e tivermos voz no corpo material. A vida sente a si mesma, poeticamente é muito curta para ser pequena, e aproveitando uma frase dita pelo personagem Tom: “Se as portas da percepção se abrissem, tudo pareceria como é.” (William Blake).

quarta-feira, 17 de março de 2010

Uma breve divagação sobre o mundo jurídico...

Diante do jejum textual, a 1ª postagem do ano de 2010...Mais um ângulo a ser vislumbrado.

Existe a condição de operacionalidade no Direito? “Penso que ao entender a dinâmica social, e o indivíduo como um todo e não um conjunto de partes desagregadas entre si, o jurista adquire uma outra dimensão social, ao compreender situações, casos e comportamentos dos indivíduos. Além disso, ele passa a enxergar o direito de forma crítica, acentuando suas virtudes e defeitos, e sai da condição de operacionalidade e mecanização do mesmo para atingir a condição de pensador do direito, com uma visão crítica apurada e o entendimento do outro, pois para sermos bons juristas, temos que ser essencialmente humanos.”

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Novo Ano


Final de ano chegando, e a contagem regressiva para o ano vindouro:2010!Assim comemora também 1 ano do meu blog, meio o qual encontrei para expressar minhas opiniões neste mundo circundante, por visões distintas, ângulos distintos de uma mesma óptica. Fazem-se mensagens, os clichês reaparecem, a onda de compaixão alheia surge, juntamente com a doação de objetos materiais a quem é bastardo, de qualquer natureza, do mínimo existencial. Contudo, desejo a todos que acompanham o blog, nessas postagens, um ano de 2010 verdadeiramente humano, pró ativo e por fim, com o pensamento crítico ocupando todas as entrelinhas de nossa história de vida! Que venha 2010!

P.S: Para terminar em grande estilo, cito a música do Grupo O Teatro Mágico que traz um pouco de nossa convivência humana:

“Afinidade acontece. Um mesmo signo, um mesmo par de sapatos caramelo, um mesmo livro de cabeceira. Afinidade acontece entre seres humanos. A mesma frase dita ao mesmo tempo, o diálogo mudo dos olhares e a certeza das semelhanças entre o que se canta e o que se escreve. Afinação acontece. Um mesmo acorde, um mesmo som, uma mesma harmonia. Afinação acontece entre instrumentos musicais. A mesma nota repetidas vezes, a busca pela perfeição sonora e a certeza das similaridades entre um tom acima e um tom abaixo. A incrível mágica acontece quando os instrumentos musicais descobrem afinidades humanas entre si no mesmo instante em que os seres humanos descobrem afinações musicais dentro deles mesmos.”

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Divagações

Seria trágico se não fosse cômico É, faz algum tempo que não escrevo, divago sobre questões cotidianas, ou não. De fato, tenho que confessar que as últimas semanas ocorridas no nosso Brasil varonil me deixaram um tanto perplexa a ponto de deixar de escrever e apenas possuir momentos reflexivos íntimos. Depois do nosso presidente Lula, “meter-se” no local onde não foi chamado, inserindo a “diplomacia” do Brasil no conflito de Honduras onde não temos competência necessária para intermediar conflitos, ao mesmo tempo com o anúncio das olimpíadas sediadas no Rio de Janeiro em 2016, e parece que já começou. Só comemora-se, feito um carnaval de norte a sul do país, com o sentimento patriótico marcando presença cada vez mais constante. Parafraseando a obra de Roberto Damatta, estamos num país onde no papel principal há o “carnaval, malandros e heróis”, e a miserabilidade constante, daquelas bastardos de qualquer natureza pelo simples prato de comida, simplesmente são anulados e passam a não frequentarem as páginas da mídia impressa e os meios de comunicação de massa. Assim, com constantes perplexidades, vamos seguindo embasbacados pela ignorância, miséria, vislumbrando um possível mudança, ou não.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Em busca de uma "audiência" ao sol

“Se você vier me perguntar por onde andei, no tempo em que você sonhava, de olhos abertos lhe direi, amigo eu me desesperava...”Nesta canção, intitulada À palo seco, Belchior, cantor ícone de canções eternizadas nos anos 70, e nos dias atuais com fortes influências em tons e sons desde, “eu sou apenas um rapaz, latino-americano sem dinheiro no banco...”Belchior, há uma semana, o Fantástico procurou o ídolo perguntando por onde ele andava, pois havia sumido a uns 2 meses, acumulando dívidas em hotéis e carros abandonados no aeroporto, deixando uma dívida de aproximadamente R$18.000. Pois, neste domingo marcado pela briga televisiva entre SBT, Record e a Globo, com a estreia de Eliana no SBT, Gugu na Record com direito ao Blue Man Group e uma cédula de 2,00 reais que foi passada nas cinco regiões do Brasil e com um determinado número de série, valeria 20.000 reais. Já a globo, convocou a equipe mirim da novela Caminho das Índias, no Fantástico, a venda de fardamento policial sem comprovante, e a cozinheira de Michael Jackson, que, segundo ela, vivenciou o momento póstumo, ao ouvir as notícias da sua morte enquanto cozinhava e possivelmente deu uma espiada na porta entreaberta, o cantor em sua cama no momento em que estava passando mal e os paramédicos tentavam reanimá-lo. Dentre os fatos decorrentes de uma programação televisiva em um domingo chuvoso na capital baiana, deixa qualquer um à palo seco, em um país onde a falta de consciência crítica assume o papel principal na vida cotidiana.

Ser Politizado


Desde o momento do surgimento ou até mesmo criação do homem na face da terra, e suas inter-relações com o outro e o ambiente surgiram às primeiras organizações sociais ilustradas pela hierarquização das primeiras tribos, constituída sempre pelos mais velhos e por assim dizer, mais sábios; adultos de meia idade, dotados de força física e os jovens aprendizes do conhecimento comunitário. As mulheres nem sequer eram consideradas membros notáveis em uma comunidade, tinham o dever doméstico de limpeza, cultivo de cereais, frutas e hortaliças, cuidar do conjugue e por fim não menos importante: o de procriar e perpetuar gerações, a descendência dos mesmos.

Com o evoluir humano, na antiguidade clássica, época das primeiras civilizações, notadamente Grécia e Roma, a organização social delimitou o nascimento e a criação da política. Na Grécia, onde na Ágora ocorriam discussões políticas e os tribunais populares: é, portanto, o espaço da cidadania. Também naquela época vigorou o então novo conceito em meio ao velho mundo: a democracia, demo =povo, cracia= governo, portanto, governo do povo. Roma contribuiu de forma decisiva para as noções existenciais do direito, oriundo do Corpus Júris Civilis, onde a noção de estado e suas subdivisões sócio-políticas e econômicas, baseadas na jurisprudência dogmática, as quais asseguravam direitos a certas camadas sociais. Na Grécia a Pólis grega, símbolo de instituição política. Em Roma as Civitas, no Imperium, onde denominava os membros da política romana.

Na Idade Média, onde a organização política encontrava-se modificada, vigorou o feudalismo, a relação de servos e vassalos. Logo após surge as Monarquias Absolutistas, onde o poder centralizado era entregue nas mãos do detentor de poder, este centralizado: o rei.

O Estado Moderno foi uma conseqüência desse passado histórico, uma reação ao absolutismo e ao feudalismo. Com a conseguinte Revolução Francesa, os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade permearam e inspiraram pequenos ou grandes movimentos revolucionários por toda a história da humanidade. O ser político, portanto, advém de toda a evolução humana aliada a sua historicidade.

Juntamente com a politização do indivíduo, surge e faz-se necessário que haja algo de extrema importância no sistema:o pensamento crítico, o velho criticismo, a racionalização de idéias, ideais e velhos ou novos conceitos que possam surgir diante situações cotidianas.

Na atualidade, em um momento histórico rico de dados, informações e ideologias, palco de protestos, criatividade e censura, liberdade e repressão, que foi a Ditadura Militar especificamente, a ditadura Brasileira, pós AI-5, o mais repressivo de todos o Atos Institucionais, fez-se necessário mais do que nunca, ter compromisso com suas ideologias, o bem-estar social, a reivindicação contra o sistema opressor, sobretudo, a volta da tão sonhada liberdade, garantida desde os tempos remotos, pelos jusnaturalistas, com o Direito Natural, garantido desde a criação do homem de ordem divina, o direito a vida e a liberdade.

Com a evolução tecnocrática, e acessibilidade dos meios de comunicação midiáticos, impressos e de forma eficaz o uso diário da internet, o criticismo converteu-se em conformismo e a falta de conhecimento de causas do mundo existencial foi deixado para trás, restando alienação e falta de produção de conhecimento, este racionalizado através da captação do objeto e a representação no espírito, enquanto interior, essência humana.Diante de um mundo trazendo uma gama de informações existentes hoje e uma acessibilidade maior, faz-se necessário que se redescubra a disposição a questionar sobre si mesmo e sobre o mundo, racionalizar, somar e crescer notadamente com o exercício pleno da cidadania na sociedade.

10 de junho de 2009