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segunda-feira, 29 de junho de 2009

ÉS-crita


ÉS-crita

Não escreverei para passar o tempo, de forma oblíqua e discriminada de linhas tênues entre a verdadeira forma de sermos e as possibilidades desejáveis de se metamorfosear e transformar-se em outra essência completamente desconhecida.

Escrevo para ao menos explorar tudo que há de forma plurissignificante do ser e suas reais condições de permanência e contrariedade a partir de inúmeras situações cotidianas.

Transcrevo em papeis engomados de pura ausência de qualquer linha ou palavra em algo puramente feito de celulose;

Papel esquálido, apático e completamente ambíguo diante as necessidades de que o escreve.

Realidade pura e verossímil, seca tal como ela é, ou talvez sonhos inimagináveis existentes onde hajam de mais profundo e mais bonito na verdadeira essência humana,

Segredos que percorrem camas, colchões, cobertores ou até que fiquem guardados, debaixo de espumas do travesseiro, penas de ganso extremamente leves dispostas a voar na corrente do mais leve vento e onde se possa extrair tudo que há de mais diferente no espaço.

Grafite 2B, pés apoiados no chão, mãos a procura de palavras certas, que possam combinar com o real desejo de transpor nessas linhas retilíneas, rascunhos livres, brancos, com rasuras e intensos borrões sob forma de sempre procurar fazer o melhor, buscar o melhor, libertar tudo que há de melhor em si e para si.

Processo cuidadosamente feito, basta agora transpor em letras bastantes perfeitas, na mais completa harmonia diante suas formas, tamanhos, desenhos.

Liga-se o computador e se inicia uma nova linha de pensamento.

Abri-se o programa “Word” e com teclados melhores que os datilógrafos, passa-se a limpo.

Palavras, orações, verdadeiros períodos feito sob a real necessidade de se explorar, tudo e dessecar tudo que há por dentro do incontável humano. Sobretudo, a escrita comporta em si o verdadeiro objetivo de semear, de se cuidar de um tão divino e maravilhoso objetivo incerto de vida, nos auxiliando a encontrarmos força diante os problemas pré- existentes e se continuar vivendo e sobrevivendo.

Fabiane Abreu

29/01/2008

22h16min

sexta-feira, 26 de junho de 2009


Trilhas

Dia claro, céu límpido e limpo, salvo algumas nuvenzinhas vagando lentamente procurando outras para assim juntar-se e ansiosamente crescer. Raios de sol, intensos, quentes, extremamente claros, chega a espreitar os olhos, diante a sensibilidade dos globos oculares diante de tão forte iluminação. Jasmins, lírios cor de laranja e violeta, com um cheiro que é perpetuado pelo ar, rosas, brancas, rosas cor- de –rosa. Ah! Cheiro igual não há!Liberam seus perfumes aos quatro ventos existentes, chegam a enrugar o nariz com tão intenso aroma. Junto com a imensidão das flores, há gramíneas, bem rasteiras, com o limo incrustado em imensas pedras. Tudo isso juntamente com uma bela paisagem de uma queda d ‘ água, ou melhor, cachoeira. Infinita, de queda alta com o curso d água de barulhos. Ao chegar ao seu destino final, segue firme, cristalina, podendo vislumbrar pedras ao fundo e pequenos peixes que habitam o local. Realmente, um belo dia. Como se não bastasse os belos recursos visuais existentes, queres atravessar a dança da água. Como?Pensa, pensa, cansa, cansa, o sol queima-lhe as costas, a cabeça sem lenço, boné, chapéu ou qualquer proteção. As pernas, já cansadas de desafios, escalar montanhas, atravessar obstáculos, querem apenas um merecido descanso, com o alongar de músculos e articulações. As unhas, cerradas ao punho, cheias de areias escuras denunciam que a realidade é outra: o corpo limpo e perfumado agora está cansado, tenso, encolhido, querendo apenas alcançar o objetivo de driblar o obstáculo e seguir ao destino preterido. O que fazer?Pensa, pensa, cansa, cansa, racionaliza, toma fôlego, mastiga-se o pensamente, degluti-o, digere-o, para que a idéias se transformem em ação. Como fazer para atravessar a cachoeira infinita? A mochila do viajante traz-lhe apenas uma lanterna, com mau contato, um suvenir da pequena cidade que havia visitado chaves, documentos, um canivete e não menos importante, uma foto. Se aquilo pode se chamar de foto, na verdade é a coisa mais linda que vi. Família reunida, domingão, almoço, na casa da vó e do vô. Na mesa feijoada com carnes diversas. Saladas multicoloridas, com alfaces verdes e graúdas, tomates vermelhíssimos e pimentões amarelos de tão medrosos que eram! Uma grande garrafa de refrigerante e, na foto, estilo “aquela que meu tio adora registrar”, todo mundo sorrindo, com a boca cheia. O bigode do avô com um arroz pendurado. A avó, com pequenas bochechas gorduchas, lábios finos com um batom rosado, e uma vasta e jeitosa cabeleira branca, alvinha. Os irmãos que juntos, forçadamente à mesa, compartilhavam chifres com os dedos. O sobrinho, de aparência traquina, com um sorriso banguelo, rosa e a língua branca de leite para fora, o cachorro no canto, querendo roubar o lombo e os outros sobrinhos, maiores, com poses engraçadas, dentes já possuem, porém estavam com aquela janelinha característica da vinda de dentes permanentes. Isso, todo mundo rindo de forma bela, espontânea, despreocupada, com pedacinhos de coentro entre os dentes, em um belo almoço dominical. Pois bem. Como veres caro leitor, há motivos de sobra para persistir e seguir em frente. Assim, ao vislumbrar o tronco de uma imensa árvore, com cipós grossos enrolados ao seu tronco, decidiu improvisar uma ponte ou jangada. Não relutou, foi, com toda vontade possível e conseguiu arrancar o galho. A noite ameaçou surgir e o desespero crescente fez surgir um ronco interno. O estômago reclamava, necessitava de alimento. Nutrir-se fisicamente. Fingiu não ouvir o apelo interno e assim, noite adentro, com sua lanterna deixando-o de lado por vezes, de manhãzinha, com o crepúsculo de raios de sol, testou a jangada na água. Flutua?Sim, flutua. Pega a trouxa, abarrotada de alegrias, mistérios, anseios e vontade de seguir em frente. Quando fixa na jangada, com o corpo espremido, percebe a falta do remo. Pra quê?Dispõe de dois grandes braços cabeludos e com a cara franzida, peitoral aberto, barba cerrada, cabelos desgrenhados ao vento, rema de forma impressionante. A forte correnteza ameaça sua permanência, mas, diante este fato, não desiste. Diante do desespero, lágrimas escorrem sobre sua cansada face. Festeja, dança, cantarola e grita para a imensa paisagem: consegui!Sim, ele conseguiu. O andarilho então segue sua viagem à procura de desvendar, sobretudo, a si mesmo, não desistindo jamais, diante de qualquer obstáculo, a seguir caminhando com força, coragem e o amor estampado no peito.

Fabiane Costa de Abreu

22hs40min

24/06/09

terça-feira, 9 de junho de 2009




 

Visões

 

Certas vezes deixamos coisas escapulirem de nosso alcance, de nossas mãos. Perscrutar quedas, falas descontentamentos sob tudo visto a olho exiguamente nu. O nu nada mais é ou possa ser uma retirada de máscaras, conceitos, erros e desacertos que porventura ocorrem em uma velocidade ímpar na relação de tempo e espaço. Descortina-se, desmonta-se, desconstrói e logo depois o quebra- cabeça humano é montado e plastificado por uma cápsula, uma capa extremamente ínfima diante a imensidão de todo o ser. Diante a encapsulação e a agregação de adereços derivados de toda a vaidade e ambição humanas, novos campos visíveis são montados e assim há a desconstrução e construção a cada dia.Quando novamente possa-se ao menos precaver ou até mesmo evitar que essas palavras, fatos e situações fiquem ao vento, agarra-se em uma linha muito tênue entre as coisas findas e as coisas crepusculares na então aceleração diária de relações interpessoais.Assim o faça.Diante de coisas de natureza simplória observa-se então que tudo possa ter um ar de facilidade enquanto a obtenção de resultados.Contudo, as escolhas que possam vir a ser tomadas são determinantes para possíveis resultados e caminhos os quais possam se optar quanto a infinitude experimental fixa ou a finitude experimental volátil.   

 

 

 

Fabiane Costa de Abreu

22/07/08

18:56

 

terça-feira, 2 de junho de 2009







Palavras

Palavras bastante ditas, faladas, confessadas, convividas, consistentes e conscientes.

São ditas não apenas para transpor situações, comunicações, fatos e convivências humanas.

Diante do seu impacto, colhem-se alegrias, tristezas e uma enorme diversidade de impactos diante de quem às pronuncia e de quem as ouve.

Ouvir e calar, o silêncio, esse que transcreve certas situações e consente diante outras que só no vazio deste, exerce um enorme espaço; diante aquele imenso vazio formado por insígnias, dados por olhares fixantes e fixados diante de tudo que se observa.

Crer-se-á que algum dia, as palavras não apenas possam ser ditas de forma descompromissada. Porém de maneira firme, expressa, alenta e conscientemente, ao intenso conteúdo que se exprima para que possa sim, acalentar e possivelmente, ressurgir a esperança e melhores dias, melhores segundos, melhores sorrisos, melhores essências.

Fabiane Abreu

14h45min

11/03/2008