ÉS-crita
Não escreverei para passar o tempo, de forma oblíqua e discriminada de linhas tênues entre a verdadeira forma de sermos e as possibilidades desejáveis de se metamorfosear e transformar-se em outra essência completamente desconhecida.
Escrevo para ao menos explorar tudo que há de forma plurissignificante do ser e suas reais condições de permanência e contrariedade a partir de inúmeras situações cotidianas.
Transcrevo em papeis engomados de pura ausência de qualquer linha ou palavra em algo puramente feito de celulose;
Papel esquálido, apático e completamente ambíguo diante as necessidades de que o escreve.
Realidade pura e verossímil, seca tal como ela é, ou talvez sonhos inimagináveis existentes onde hajam de mais profundo e mais bonito na verdadeira essência humana,
Segredos que percorrem camas, colchões, cobertores ou até que fiquem guardados, debaixo de espumas do travesseiro, penas de ganso extremamente leves dispostas a voar na corrente do mais leve vento e onde se possa extrair tudo que há de mais diferente no espaço.
Grafite 2B, pés apoiados no chão, mãos a procura de palavras certas, que possam combinar com o real desejo de transpor nessas linhas retilíneas, rascunhos livres, brancos, com rasuras e intensos borrões sob forma de sempre procurar fazer o melhor, buscar o melhor, libertar tudo que há de melhor em si e para si.
Processo cuidadosamente feito, basta agora transpor em letras bastantes perfeitas, na mais completa harmonia diante suas formas, tamanhos, desenhos.
Liga-se o computador e se inicia uma nova linha de pensamento.
Abri-se o programa “Word” e com teclados melhores que os datilógrafos, passa-se a limpo.
Palavras, orações, verdadeiros períodos feito sob a real necessidade de se explorar, tudo e dessecar tudo que há por dentro do incontável humano. Sobretudo, a escrita comporta em si o verdadeiro objetivo de semear, de se cuidar de um tão divino e maravilhoso objetivo incerto de vida, nos auxiliando a encontrarmos força diante os problemas pré- existentes e se continuar vivendo e sobrevivendo.
Fabiane Abreu
29/01/2008
22h16min


1 comentários:
Falar do oficio de escrever não é realmente uma tarefa fácil, principalmente porque as palavras transmitem vivências, elas caminham tão "vivas" quanto nós. Gostei muito do título do texto: és-crita: provando que o ato ( de escrever), não se limita ao momento, mas se amplia por toda a infinitude de pensamentos de um ser. O texto vem criando corpo, se desenvolvendo e depois vem a conclusão, só que quando compreendido mesmo, não para ali, pois o aprendizado seguem além do desfecho. Parabéns e aguardo novas produções.
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