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sexta-feira, 26 de junho de 2009


Trilhas

Dia claro, céu límpido e limpo, salvo algumas nuvenzinhas vagando lentamente procurando outras para assim juntar-se e ansiosamente crescer. Raios de sol, intensos, quentes, extremamente claros, chega a espreitar os olhos, diante a sensibilidade dos globos oculares diante de tão forte iluminação. Jasmins, lírios cor de laranja e violeta, com um cheiro que é perpetuado pelo ar, rosas, brancas, rosas cor- de –rosa. Ah! Cheiro igual não há!Liberam seus perfumes aos quatro ventos existentes, chegam a enrugar o nariz com tão intenso aroma. Junto com a imensidão das flores, há gramíneas, bem rasteiras, com o limo incrustado em imensas pedras. Tudo isso juntamente com uma bela paisagem de uma queda d ‘ água, ou melhor, cachoeira. Infinita, de queda alta com o curso d água de barulhos. Ao chegar ao seu destino final, segue firme, cristalina, podendo vislumbrar pedras ao fundo e pequenos peixes que habitam o local. Realmente, um belo dia. Como se não bastasse os belos recursos visuais existentes, queres atravessar a dança da água. Como?Pensa, pensa, cansa, cansa, o sol queima-lhe as costas, a cabeça sem lenço, boné, chapéu ou qualquer proteção. As pernas, já cansadas de desafios, escalar montanhas, atravessar obstáculos, querem apenas um merecido descanso, com o alongar de músculos e articulações. As unhas, cerradas ao punho, cheias de areias escuras denunciam que a realidade é outra: o corpo limpo e perfumado agora está cansado, tenso, encolhido, querendo apenas alcançar o objetivo de driblar o obstáculo e seguir ao destino preterido. O que fazer?Pensa, pensa, cansa, cansa, racionaliza, toma fôlego, mastiga-se o pensamente, degluti-o, digere-o, para que a idéias se transformem em ação. Como fazer para atravessar a cachoeira infinita? A mochila do viajante traz-lhe apenas uma lanterna, com mau contato, um suvenir da pequena cidade que havia visitado chaves, documentos, um canivete e não menos importante, uma foto. Se aquilo pode se chamar de foto, na verdade é a coisa mais linda que vi. Família reunida, domingão, almoço, na casa da vó e do vô. Na mesa feijoada com carnes diversas. Saladas multicoloridas, com alfaces verdes e graúdas, tomates vermelhíssimos e pimentões amarelos de tão medrosos que eram! Uma grande garrafa de refrigerante e, na foto, estilo “aquela que meu tio adora registrar”, todo mundo sorrindo, com a boca cheia. O bigode do avô com um arroz pendurado. A avó, com pequenas bochechas gorduchas, lábios finos com um batom rosado, e uma vasta e jeitosa cabeleira branca, alvinha. Os irmãos que juntos, forçadamente à mesa, compartilhavam chifres com os dedos. O sobrinho, de aparência traquina, com um sorriso banguelo, rosa e a língua branca de leite para fora, o cachorro no canto, querendo roubar o lombo e os outros sobrinhos, maiores, com poses engraçadas, dentes já possuem, porém estavam com aquela janelinha característica da vinda de dentes permanentes. Isso, todo mundo rindo de forma bela, espontânea, despreocupada, com pedacinhos de coentro entre os dentes, em um belo almoço dominical. Pois bem. Como veres caro leitor, há motivos de sobra para persistir e seguir em frente. Assim, ao vislumbrar o tronco de uma imensa árvore, com cipós grossos enrolados ao seu tronco, decidiu improvisar uma ponte ou jangada. Não relutou, foi, com toda vontade possível e conseguiu arrancar o galho. A noite ameaçou surgir e o desespero crescente fez surgir um ronco interno. O estômago reclamava, necessitava de alimento. Nutrir-se fisicamente. Fingiu não ouvir o apelo interno e assim, noite adentro, com sua lanterna deixando-o de lado por vezes, de manhãzinha, com o crepúsculo de raios de sol, testou a jangada na água. Flutua?Sim, flutua. Pega a trouxa, abarrotada de alegrias, mistérios, anseios e vontade de seguir em frente. Quando fixa na jangada, com o corpo espremido, percebe a falta do remo. Pra quê?Dispõe de dois grandes braços cabeludos e com a cara franzida, peitoral aberto, barba cerrada, cabelos desgrenhados ao vento, rema de forma impressionante. A forte correnteza ameaça sua permanência, mas, diante este fato, não desiste. Diante do desespero, lágrimas escorrem sobre sua cansada face. Festeja, dança, cantarola e grita para a imensa paisagem: consegui!Sim, ele conseguiu. O andarilho então segue sua viagem à procura de desvendar, sobretudo, a si mesmo, não desistindo jamais, diante de qualquer obstáculo, a seguir caminhando com força, coragem e o amor estampado no peito.

Fabiane Costa de Abreu

22hs40min

24/06/09

1 comentários:

Fábio disse...

ta escrevendo textos novos ou ta colocando os velhos textos guardados? ah, não importa.
um beijo!